terça-feira, 9 de setembro de 2008

Revolução Molotov

"...e o menino, desesperado ao ver sua mãe ser espancada e absurdada pelos marginais, enloqueceu!
Depois de enterrar àquela que o colocou no mundo, resolveu se vingar.
Tinha sangue nos olhos. Jurou às cinzas da mãe, que aquele que a fizeste sofrer, haveriaa de pagar, e que pagaria com a própria vida.
Pensou e teve uma idéia.
Sozinho, saiu... parou no lugar exato onde o sangue de seu sangue havia perdido a vida.
Andou....
Ao chegar onde queria, em plenas 3 da madrugada, uma explosão...
O cheiro de querosene, as chamas.... a vingança....
A história estava apenas começando...."


Por Tassiana Ghorayeb Laden Hussein Resende

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Still Alive!

E para quem pensou que eu tinha MORRIDO, surpresa!!!
Mais viva do que nunca, mais sagaz que o homem fumaça, mais engraçada que piada do Bozo... Tassiana Resende resolveu dar as caras!
Boa noite... Ai que saudade!!!!

Como vão, amigos, leitores, fantasmas?

Este post é para dizer que eu não desisti!! Consegui 5 minutos para deixar registrada algumas palavras!


O tempo passa, o mundo muda, as tecnologias evoluem, e eu continuo querendo escrever contos, cronicas e histórias!

Alias, quem gostaria de ir ao Woodstock comigo?
To muito afim de dar uma passada lá!

Vai ter Janis amanhã!
Bom quem estiver afim já sabe!!!


Beijos me liga?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Mais uma vez é carnaval.

Só pra dizer que meu desempenho em vestibulares continua 100%.

Abraço a todos.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Desaforismos

O Reinaldo é o melhor Moraes desde o Vinicius.





W.B

sábado, 2 de agosto de 2008

Na mesa de jantar.

Sai para jantar, sozinho, e voltei com o saco completamente cheio. Não que eu estivesse com vontade de ir ao banheiro, por enquanto a Coca Zero que eu tomei continua banhando meu estômago. Voltei com o saco cheio dos namorados e namoradas. Dor de cotovelo? Também.

O fato é que ultimamente, como o sempre intrépido Cléber Machado gosta de ressaltar, as coisas tem ficado um pouco mais sem-graça. Se já não existiam lá muitas coisas com as quais agente pudesse se esbaldar, ultimamente elas foram ficando ainda mais escassas.

A minha última bronca é com o namoro. O namoro virou uma instituição. Daquelas bem segregacionistas, pois é, consigo imaginar em um futuro próximo alguns lugares que proibam a entrada de "Solteiros"

-Opa amigo, quanto que é para entrar?
-r$ 20,00 para cada.
-Como assim "para cada" amigo?
-Só pode casal amigo, e agora dá licença que o senhor está "empacando" a fila.
-Mas e se eu quiser entrar sozinho?
-Vai ter que achar outro lugar. O senhor pode me dar licença?

Não existe problema nenhum, ao menos pra deixar o papo menos moralista, em namorar. Oras quem quiser que namore. O problema é que hoje eu vi inúmeros casais com as mãos entrelaçadas quase que em uma obrigação moral, como se fizesse parte de uma cartilha, daquelas que os caras entregavam em décadas passadas e que basicamente delineava um certo tipo de comportamento. Parem com essa besteira!

Entre uma garfada e outra do meu excelente Kibe Cru com molho de gengibre, eu vi esses casais passando, de mãos dadas e frios como uma geladeira no Pólo Norte. Aonde foram parar as caminhadas vagarosas, que iam com passos lentos, meio tímidos, numa caminhada que mais parecia um balé, onde alguns passos eram trocados por afagos, e carinhos, beijinhos ao pé do ouvido, aonde foram parar?
Aonde foi parar a intimidade? Os casais que eu vi hoje pareciam que mal se conheciam, não me estranharia se na cabeça deles ocorresse: "Eu estou segurando uma mão. De quem será?" Aquele sentimento gostoso de conhecer alguém estimulante, para as meninas um rapaz, e para um rapaz uma menina. Não senhor, hoje em dia os novos casais andam como máquinas, qualquer semelhança com a clássica cena do filme: The Wall do Pink Floyd é mera coincidência.

As mulheres, lindas em seus impávidos colossos de lábios, cabelos e charme também sucumbiram aos tempos modernos. Um andar sem graça, digno da mais pura Norueguesa. O charme da brasileira sumiu no meio do shopping. Elas estão mais provocantes, do que insinuantes. Se é que existe alguma diferença. Para este escritor que escreve, e a voz na sua cabeça que você ouve quando lê, sim, existe uma diferença.

Assim como tudo que vira estabilishment necessariamente torna-se um saco, o namoro é um deles.
E então me mandei daquele lugar e coloquei meus pés no chão. Tremendo banho de realidade para uma noite de sábado que apenas começava.

No caminho de volta fui brindado pelos Deuses com uma cena redentora. Um casal que que facilmente já tinha passado das cinquenta (com trema, mas não sei onde fica no teclado) primaveras, (fato esse comprovado por esse escritor pois os dois falavam de Leila Diniz, a musa da bossa.) andando vagarosamente, conversando francamente, e não como um casal de mongolóides que me deram o prazer de ouvir alguns poucos minutos de sua conversa, enquanto eu ainda jantava, sobre estratégias para crescer dentro de uma corporação. Pois é, este casal que eu tive o prazer de acompanhar por 30 segundos me deu uma boa sensação, a de que nem tudo foi pro saco, pelo menos nem tudo ainda. E eles continuaram em seu balé no asfalto, abraçadinhos, conversando, rindo seus risos e chorando suas pitangas. E quanto a mim, só me restaram as teclas.

Até a próxima.

William Biagioli
(02/08/2008)

Aqui, ali e acolá.

Eu estive por aí. Andei pelas ruas da tua cidade. Vi as luzes cintilantes de um frenesi de átomos e zumbidos incessantes. Subi tuas subidas, e desci tuas descidas, me desculpe a redundância meu caro, mas é que vai fazer tantas subidas, e tantas descidas, lá no inferno. Desculpe, no inferno não há subidas, é um caminho estreito e direto na descendente.
E continuei por ali, aqui e acolá. Senti o sopro da madrugada tentar levar a minha mente para dançar. E depois de seguidas tentativas obstinadas, desistiu. Ela já tinha ido.

Passei por construções que você ergueu meu caro, ou que pelo menos ajudou de alguma forma a erguer. Prova concreta que que com o passar do anos as coisas podem ficar em pé, é só fazer bem feito durante todos os outros anos anteriores. Díficil.

Vivi sendo e não sendo. Fui e Não fui. Sou boa parte de seus erros, e dos acertos também, ora pois!. Senti o peso do dedo em riste que apontaram para mim. Fiz alguns sorrirem. Mas não nego, chorei em alguns momentos com a mais sincera e escorrida lágrima, inda que o riso ainda comandasse o rumo das coisas. Bobagem lírica.

Bebi suas bebidas, comi suas comidas (e como!) fumei seus cigarros, beijei o chão, e tive a redenção nos olhos de tuas mulheres. Doce redenção, talvez tenhas criado apenas para deleite dos mortais homens, assim como eu. Eu entendo poderoso Éon. Algumas de beleza admirável, uma rara beleza, assim como a gaivota que voa ali no céu, ali oras, do lado de fora da minha janela, um pouco mais pra cima, o céu. Lembra? E da Gaivota? E do bater de asas? Pois é meu caro, admirável são tuas pernas, eu disse a ela, e ela acusou um sorriso de canto, talvez ela tenha gostado, talvez não. Quem se importa? Talvez eu. Maldita hora pra me lembrar dos pensamentos. Eu os tive (e como!). Do lado aonde bate sombra é mais frio, e é por lá que alguns caras andam. Outros gostam sempre de estar na luz. Nas poderosas baterias de iluminação. Efêmero. Passageiro. Não há luz que não precise do escuro. E nem escuro que sobreviva muito tempo sem a luz. Mistérios da tua criação meu caro. Verdade, tentar descobrir o porquê é um saco, mais fácil constatar, e ir tocando em frente. Assim como a boiada. No campo. Lembra? O café? O pão-de-queijo? A vovó? O cheiro de mato (calma D2) recém-cortado, com hífen pois o hífen é a cerca da palavra, e te lembra da cerca? que cercava o mato? Era o limite da nossa imaginação.

Pois é meu caro, eu andei por aí, e espero continuar andando. Sempre que puder te mando algumas notícias. Mas nem tudo está perdido.
Um abracadabrasso, do William.


Até a Próxima.
(02/08/2008)

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Um Peito Maior!

Estive pensando: hoje em dia, um peito maior resolve PRATICAMENTE todos os problemas. Delas e deles!
Mas não entrem em pânicos, meninas!
Caso o silicone não esteja ao alcance dos seus bolsos, uma escova progressiva resolverá, também, MUITO de seus problemas!

Viva o mundo de hoje!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Biblioteca Chinesa II

Hoje a chuva deu as caras pelos lados princesinos. Fazia tempo que não chovia, e a poeira já era tanta. Por essas, pela poeira ter ido, venho para falar de um livro emblemático, que terminei de ler faz pouco tempo. Pergunte ao Pó (José Olympio Editora), de John Fante, narra a história do italiano Arturo Bandini em Los Angeles, nos anos 30. Acontece que Arturo se apaixona por Camilla Lopez, a garçonete do Columbia Buffet, que além de garçonete é mexicana (sinônimo de preconceito), e entre insultos e declarações, ele quer tê-la. Nesse interim, Bandini tenta de todas as formas se tornar 'um grande escritor', frase pela qual ele gostava (ou gostaria) de se apresentar.




Pergunte ao Pó é emblemático pelo fato de Charles Bukowski (Misto Quente, Factotum, Crônica de Um Amor Louco, entre outros) ter visto nele um espelho de sua realidade. Foi esse o primeiro livro que chamou a atenção do velho Buk. Além disso, Pergunte ao Pó foi o primeiro livro que Marcelo Mirisola leu. É um livro que não passa em branco.

Trecho:
"Ela se cobriu e seus olhos estavam nadando de alegria ao me ver sair. Fui até o final do corredor, até o patamar da escada de incêndio, e ali me soltei, chorando e incapaz de me conter, porque Deus era um canalha tão sujo, um pulha desprezível, é o que Ele era por fazer aquilo com aquela mulher. Desça dos céus, seu Deus, venha até aqui que vou socar seu rosto por toda a cidade de Los Angeles, seu moleque miserável e imperdoável."

Além de escritor, Fante também escreveu alguns roteiros para cinema.

Obras do autor:

Espere a Primavera, Bandini (1938)
Pergunte ao Pó (1939)
Dago Red (
1940)
Full of Life (
1952)
Bravo, Burro! (
1970)
The Brotherhood of Grape (
1977)
Sonhos de Bunker Hill (1982)
1933 foi um ano ruim (1985)
Rumo a Los Angeles (1985)
O Vinho da Juventude (1985)
A Oeste de Roma (1986)
Prologue to Ask the Dust (
1990)
The Big Hunger (
2000)
The Bandini Quartet (
2004)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Frases que gostaríamos de ouvir por aí (parte 3)

Dita por Cantero, direto aos ouvidos deste que vos escreve.

"O que sobra, não falta."

Dentro dessa categoria também se encontram as célebres e famosas frases do inesquecível Tomás, tais como:

"O Fornecedor fornece o Produto"
e pra não deixar barato
"E o distribuidor, distribui"

William Biagioli, 20 anos de idade. E com ouvidos atentos.

Frases que gostaríamos de ouvir por ai...(2)

É como já disse o cavallero da madrugada

"Porra! Se fosse eu que estivesse na Grécia, pedia logo pro taxista me levar pra Augusta de Atenas."

Ah, Mirem-se no exemplo dessas mulheres de Atenas...

William Biagioli
Aos 20. Sem pôr, nem tirar. Indo.

Abracadabrassos do William.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Frases que gostaríamos de ouvir por ai...

"O problema entre decidir em ser de esquerda, ou ser de direita, é ter que abrir mão de andar para frente"
(William Biagioli)


W.B Dia 16 de Júio.
Um abrassão do William.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Peço desculpas!

Por volta de 2008 anos atrás, o mundo teve o prazer de receber em suas terras, um ser humano chamado/ conhecido pelo nome de Jesus de Nazeré.
Dizem que ele era filho do Homem... que fez milagres! Ele dividiu o mundo em duas eras. Antes Dele, e depois Dele.
Os manuscritos que nos levaram ao conhecimento desse Homem Divino, foram modificados antes mesmo de alguém de nós pensar em nascer, mas são nesses manuscritos reescritos que sabemos que ele MORREU POR NÓS.
Piedoso, puro, 100% BOM!!!!!!!!! UAU!

Mas nao estou aqui fazendo declaração, questionando, convertendo ninguém a nada ou escrevendo algo religoso. Estou aqui porque gostaria de, em nome da humanidade, que viveu nesses 2008 anos no Planeta, pedir DESCULPAS a Cristo!

POR QUE?

Simples: SE Jesus existiu e foi como nos contam que foi, se morreu por nós, se era um homem bom, um revolcucionário de 2008 anos atrás, se decidiu que entregaria sua vida para que todos os homens pudessem evoluir, ELE, com certeza, está muito triste com o ser humano.
DECEPCIONADO, puto, magoado, irritado....
Olha o que aconteceu com o mundo, olha o que virou o ser humano!
Quer exemplos?

- Oceanos contaminados
- Agua doce em falta
- Ar poluido
- Animais morrendo por X motivos
- homens matando uns aos outros
- Pais matando filhos
- Gente que a gente nem conhece roubando nossos lares, nossos filhos, nossa felicidade
- Poder corrupto
- Capitalismo avassalador, que destrói Pátrias, famílias, Leis, valores e noção de JUSTIÇA.
- etc etc etc
- bla bla bla
................
=x

1 Minuto de silêncio
................


Você realmente acha que valeria a pena MORRER CRUCIFICADO por tudo isso que nos tornamos hoje? Por tudo que vivemos?
Se existe alguém que morreria por ISSO TUDO, que fale AGORA........... ou cale-se para sempre!

Agora o x da questão, o OUTRO porém, o que realmente me fez pensar e escrever para quem quiser ler (se é que tem alguém que queira) é:
O que foi descrito acima está levando em conta a divindade criada em cima desse humilde, e mortal, ser humano, como qualquer um de nós. Certo? Certo!

Pois bem... agora imagine você, se, esse homem, carpinteiro, de pés descalços, NÃO foi um santo, um enviado... e se ele fosse apenas um mortal?
Então, aclamaria por desculpas em nome de toda a humanidade que, durante esses 2008 anos, habitaram o Planeta.
POR QUE?

Simples: como se nao bastasse terem criado o mais famoso MITO de todos os tempos, de todas as Eras, alguém já parou para pensar o que se passa com a ALMA de Jesus?
Ele deve ser um atormentado. Ele não descansou nenhum dia sequer, durante esses 2008 anos, nao teve paz, sossego, tranquilidade, eternidade.....e nem nada do que dizem que as almas encontram, quando saem de cena desse mundo.
Visualiza. Por todos esses anos, a cada milésimo de segundo (que é menos do que o tempo de um piscar de olhos) milhares de milhões de centenas de pessoas CHAMAM por ele, SUPLICAM-LHE algo, QUESTIONAM os acontecimentos de suas próprias vidas, PEDEM soluções, choram mágoas, conversam sobre coisas banais, sobre seus desejos e vontades, sobre o que lhe faz mal, imploram misericórdia.....
Ele nunca descansou...Por NENHUM dia, por nenhum segundo ou milésimo de segundo... Coitado de Jesus...

Venho por meio deste post, em nome de todas as pessoas que habitaram o Planeta, dizer para Jesus:
DESCULPA!
Desculpa pelo que nos tornamos, desculpa pelo que fizemos com o mundo.
Desculpa pelas pessoas que acham que tudo depende de você.
Jesus, eu lhe peço, com todo amor, do fundo do meu coração: DESCANSE. Durma, durma pela eternidade. Assim você nao terá olhos para ver o que acontecerá, não se sentirá uma alma inútil que é incapaz de resolver os problemas do mundo e de todas as pessoas que lhe chamam, não precisará ouvir o que você foi ou deixou de ser, não verá guerras em seu nome que servem de apoio para conquista de dinheiro, de interesses próprios de uns e outros, que dividem as pessoas por credo, por terras, onde morrem inocentes... Ai Jesus....

DESCULPE essas pessoas...eles não sabem o que fazem!



Por Tassiana Ghorayeb Resende. Sem credo, sem nada...apenas ajudando uma alma que por cá passou.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Dialética Voadora

Um grupo de passarinhos voando com o intuito de fugir do inverno que começa no lugar onde eles estavam inicialmente. São em seu total 10. Inicialmente consiste em apenas demonstrar esta simples cena. Pássaros voando. Depois de um certo tempo, ao ir dando um detalhe nas expressões de cada passarinho, é visto que um deles, por sinal o último, está com uma feição de completo desânimo, enquanto todos os outros apresentam um olhar concentrado, e determinados a fugir do lugar onde estavam.

E então que é dada maior atenção a este passarinho. Eis que subitamente ele para, em algum lugar que este escritor que escreve, e a voz que você ouve na sua cabeça quando lê qualquer tipo de texto, ainda não decidiu. E todos os outros sentindo a falta do companheiro se voltam para ele e perguntam em Uníssono.

-Por quê parou?
-Vocês já pararam pra pensar para onde estamos voando?
-Oras, para o mesmo lugar onde voamos nesta mesma época no ano passado- Todos responderam em uníssono.
-Mas já se pararam para perguntar por quê?
-Paramos para perguntar por quê você parou, oras – Todos novamente.
-Não! Não é isso! Digo, se vocês não pensaram nas razões pelas quais fazemos isso ano após ano, e por quê depois de tantos anos, ainda fazemos as mesmas coisas, das mesmas maneiras e vamos para o mesmo lugar! É nisso que eu perguntei se vocês já pararam pra pensar – Discursou enfaticamente o pássaro.
- Pensar em o quê? - Todos em uníssono.
-Pensar nisso tudo oras! - Respondeu o já efusivo pássaro.
-Nisso tudo o que? – Todos com cara de dúvida inocente, beirando uma cara de dúvida imbecil.
- Meu Deus! Se vocês já pensaram por que nós fazemos todo ano a mesma coisa, toda a vez que chega o inverno, ao invés de nós tentarmos nos fixar em algum lugar, migramos, e quando migramos vamos sempre para o mesmo maldito lugar. Sabem? O por quê de tudo isso? Nunca pensaram? Nunca sentiram essa angústia no peito de saber qual é o sentido de fazermos ano após ano a mesma maldita rota, vendo as mesmas coisas sempre? Nunca pararam pra pensar nisso tudo e muito mais???
-Depois de olharam com uma súbita cara de completa dúvida, todos os outros pássaros disseram com uma inocência que só apenas uma criança, ou um marido que toma um “esporro” de sua mulher poderia dizer: - Não...
-Como assim não!!!???? Como não??? No que vocês pensam quando estão voando?
- Um deles simpaticamente disse – Repita a pergunta por favor, eu me distrai com alguma coisa que eu não me lembro mais o que era.
-Perguntei no que vocês pensam quando estão voando? Quais são as coisas que passam pelas suas cabeças?-Cada um deles começou a atropelar as vozes uns dos outros com as mais diversas opiniões. A única coisa que suas opiniões tinham em comum, era justamente o fato de não terem nada em comum umas com as outras. Uns diziam – Peixes! Outros diziam – “Pássaras”. Um outro disse “Todas as formas de seduzir um golfinho!!!" Um outro até ousou dizer: “Pensar, o que seria isso? Meu Deus Pássaro uma nuvem!!!”. De qualquer forma, talvez nem seja preciso dizer que isso além de espantar o simpático pássaro, o deixou profundamente irritado. Coisa que geralmente, tanto para pássaros, quanto para humanos, é um saco.
E então o pássaro rebelde prosseguiu:
-Bom, então vocês estão me dizendo que raramente pensam em alguma coisa realmente importante?
-Peixes são importantes! – Bradou um dos pássaros que eram atacados pelas palavras do alterado pássaro rebelde.
-Não é isso que eu quis dizer, claro que são importantes.
-E gostosos – Interrompeu o mesmo pássaro.
-E gostosos, sim claro, mas o que eu queria dizer era se vocês realmente nunca se preocuparam com outra coisa que seja, como eu disse, sobre a nossa vida, algo maior que nós, sobre o sentido de tudo. Ou para onde estamos indo, ou o por quê disso tudo.
-Eu pensei uma vez – Corajosamente bradou um dos mais acanhados pássaros desse entrevero voador.
-Jura? E no que você pensou – Disse o agora um pouco mais animado, pássaro rebelde.
- Nisso tudo que você acabou de falar.
-Nisso tudo o quê especificamente??? Cada vez mais animadamente!!!
- Em tudo o que você disse oras, que peixes são gostosos e importantes!!!
-Mas eu não disse nada disso droga! Quem disse isso foi ele ali!!! Bradou ensandecido o Che Pássaro.
-Ah sim...Bom, então foi com o que ele disse que eu já tinha pensado, e alguns são realmente gostosos mesmo. Sobre o que você falava mesmo?
-Eu falava basicamente sobre, sobre, sobre...Sobre Tudo Caramba! Eu falava basicamente na vontade de um algo maior, entende? Eu falava nos motivos de tudo o que nós fazemos, sabem? Por quê justamente hoje eu pensei, qual é o grande motivo de tudo o que nós constantemente e repetidamente fazemos, vocês conseguem me dar uma resposta? Conseguem? Conseguem achar o motivo para todos os anos fazermos sempre as mesmas coisas? Indo aos mesmos lugares, fazendo sempre as mesmas coisas? Conseguem?
- Eu diria que...E parou, um dos pássaros.
- Continue...Continue! Animou-se o Che Pássaro.
- Eu diria que a razão de tudo isso é...
- Vamos continue, continue! Encorajou o “Rebel Bird”
- Talvez não...
- Termine meu caro! Mostre o que você pensa! Energeticamente falou o pássaro.
- Talvez seja por que...- Todos olhavam para este insignificante ser, próximo ao que anos depois seria conhecido como a grande revelação dos pássaros, e até hoje é comemorado em muitos lugares com uma grande festa, que passa praticamente desapercebida pela maioria da população dos pássaros – Talvez seja por quê somos...Talvez seja por quê somos pássaros!!!

Depois disso, o que ocorreu foi uma súbita sensação de dever cumprido por parte de todos os pássaros envolvidos, menos curiosamente o que iniciou todas esta discussão.Depois disso tudo, eles alegremente retomaram seu rumo e só pararam quando chegaram no seu destino final.

Com relação ao que fez a grande revelação, que anos mais tarde foi considerada um marco nas relações entre os pássaros, e um evento histórico, como já mesmo havíamos dito, eu que escrevo e a voz na sua cabeça que você ouve quando lê estas linhas, como eu também já havia posto, (Eu e a voz) Virou um grande líder dos pássaros e continuou exercendo sua repetitiva função por mais alguns anos, até que se aposentou e continuava a discursar nostalgicamente sobre os anos em que foi o líder dos pássaros. Quanto aos outros, a maioria dos ouvintes da histórica conversa, alguns continuaram seguindo o grande líder por anos e anos e muitos tomaram o mesmo rumo que o líder, claro que com alguns benefícios a menos, e muitas feridas a mais, porém dois deles foram capturados por caçadores de pássaros, pois eram justamente dois exemplares muito belos, que devido a sua beleza acabaram por ser empalhado e hoje decoram belamente uma casa de campo de um dos seus compradores finais.

Por fim, o “Che” Pássaro, o pássaro Rebelde, ou seja, como queira chamá-lo teve um final de vida brilhante. Decidiu que jamais iniciaria qualquer tipo de discussão sobre um assunto espinhoso, promessa essa que ele quebrou anos mais tarde, quando calorosamente discutiu sobre o grande Deus pássaro, discussão esta que lhe garantiu mais alguns anos de desilusão pela frente, depois disso ele acabou por virar um pássaro que era considerado pelos demais como um maluco, foi nessa época que ele conheceu todos os cantos do Mundo, e encontrou mais alguns pássaros que partilhavam desta mesma aspiração dele, de questionar algumas coisas, porém eles não conseguiam chegar a um consenso, o que o deixou um pouco frustrado também, porém foi mais ou menos nessa época que ele conheceu sua bela pássara, que acabou por virar sua parceira para todas as jornadas, não que ela concordasse com tudo aquilo que ele dizia, mas os dois formavam uma bela dupla. Foi então que os dois pousaram na sacada da minha casa, e me contaram toda esta maravilhosa história. E não eles não eram verdes, tão pouco prolixos.

William Biagioli
São Paulo (03/07/08)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Do começo ao fim

-Tem um cigarro?
Essa foi a sua primeira pergunta. Não sua. Dele. Como dizem os americanos, It's a Yes or No question. Dessa simples questão, viria uma resposta não menos simples.
-Sim - Disse Ela.
Tomando quase que de assalto seu maço de cigarros Ele olhou nos olhos dela que sorriu timidamente com a cabeça apoiada pela mão esquerda. Pois a direita se preocupava em segurar decentemente o cigarro. Decentemente significa aquela pose elegante, que algumas mulheres conseguem fazer ao manusear um cigarro. Não sejamos besta de entrarmos no mérito do vício. Concordemos que é elegante e ponto.
E então quase que automaticamente, a corajosa pergunta do bravo "cavallero" iniciou uma conversa. Ela tinha 32. Era mais velha. Mas nem de longe aparentava a idade. A voz não era maltratada pelo cigarro, talvez o que indicasse que naturalmente não se tratava de um vício de anos, mas sim um aparato que compunha sua beleza. Seus cabelos não eram longos, na verdade eram curtos, não tanto quanto os do João.
Natural também era o jeito que a conversa rolava, percebia-se no ar, misturado a fumaça do cigarro, um maldito incenso e a transpiração da cerveja um clima propício para alguns copos de chopp e uma conversa despretensiosa.
Assim como ela, havia a outra. Sentava de frente a ela. Morena, cabelos longos, olhos pretos pequeninhos, não orientalmente falando, uma "olhera" que denunciava algumas noites de sono mal dormidas, talvez se preocupando demais em manter-se acordada durante o sexo, do que propriamente dito, se entregando ao prazer.
Enquanto isso, o senhor Otis Reading fazia os corações solitários e pénabundeados (valeu Reinaldo Moraes) cantar: "...Wearing that same old shaggy dress...", mas isso é papo pra rolar numa mesa do outro lado, onde dois caras discutiam na surdina, e eventualmente olhavam para essas duas mulheres. Não eram fascinantemente belas, mas o suficiente para deixá-los interessados.
Se eram caras interessantes ou não eu não posso afirmar com certeza cabalística. Mas até que não pareciam ser uns meia-guampas qualquer'es. Pareciam ser dois caras bem "apessoados", como vovó já dizia. Um deles se levantou e disse:
-Tem um cigarro?....

domingo, 6 de julho de 2008

Sobre a Mesa

Eu acabei de tentar recolocar um lápis rebelde em sua posição original (sobre a mesa). Posição original (sobre a mesa) da qual ele conseguiu vitoriosamente sair, tendo ido parar de cara no chão. Porém ele sistematicamente se recusou a aceitar minha ajuda oferecida, tendo ficado lá, deitado no chão. Depois de 4 (fracassadas) tentativas de perssuadir o lápis a voltar a sua posição original (sobre a mesa) compreendi que ele queria mesmo era ficar com a cara afundada no chão. Eu o respeitei por isso. No final disso tudo, tirei 3 conclusões: Fui incapaz de persuadi-lo a voltar para sua posição original (sobre a mesa). Desisti facilmente. E é um maldito lápis com convicções muito bem definidas.


William Biagioli.
Indolor
Incolor e
Inodoro.

6 de Julho de 2008.