sexta-feira, 16 de maio de 2008

O talento

Só mais uma vai, eu juro, é que essa não devia passar em branco.
Está rolando, por que rola, na Internê, um banner, ou famoso Bani, do banco HSBC, que traz a frase. "Ser reconhecido no mundo todo é uma questão de talento".
Apesar da frase parecer ser otimista, eu discordo um pouco, afinal de contas tem uma porrada de gente aí que é reconhecida no mundo inteiro e não é por causa do seu talento. Ou talvez seja, mas pelo talento de se fazer merda. Não é meu caro amigo?




That´s All Folks!!!


O recordista infâme

17h32: Congestionamento em São Paulo já atinge mais de 160 km

O recorde foi de 266 km. Do jeito que o trânsito anda superando a cada semana recordes vai ser medalha de ouro fácil nas Olimpiadas. Pode computar ai. Trânsito Medalha de Ouro, maior recordista do Ano.

P.S: Olhem para mim depois, eu vou ser aquele cara com a placa escrito Eu já sabia!

W.B mais uma vez. beijundas.

Conclamamos ao retorno!

Senhoras e Senhores é com muito prazer que eu vim aqui dar uma comida de rabo!
É isso sim e ponto.
Bom, já é sabido que temos esse espaço algum tempo, e veja bem, falo diretamente com os maiores colaboradores dele: Tassiana e Ricardinho Schneider, o China.
Outro que é sabido é que cada um escreve o que quer, a hora que quer, e da maneira que quer, sempre levantando pontos sabidamente sábios. Hipóteses malucos. Metaliteratura. Escrever pelo prazer, deixar rolar, informar. Enfim, há um bom tempo que eu sinto que a galera anda meio entediada, ta tudo mundo meio cabisbundo, e veja bem, não me excluo da patota dos infelizes. Mas eu conclamo. Não paremos de escrever, pelo menos os meus olhos adoram ler vossos textos e aposto que algumas pessoas também gostam. Inda que seja vossas, nossas e minha mãe.
Um beijo e um abraço para vocês jaguardiones. não parem de escrever. Jamais!

W.B Está de volta.

O Cagaço eis a questão.

E o cagaço? E o cagaço que eu tenho de te ligar? O cagaço de saber se você está, ou estará pronta, ou então querendo me atender. Aí eu te pergunto, e o cagaço?
E o cagaço que faz o coração bater que nem bumbo do pelourinho anunciando o carnaval naqueles malditos instantes que precedem o alô? É o cagaço.
E o cagaço de ficar na espera agoniante dos barulhos espaçados que deixam qualquer galã experiente com cagaço da rejeição. É cabrons, no fundo no fundo, o que é o cagaço senão o glorioso medo da rejeição?
É o cagaço que me faz as vezes desligar após o primeiro toque. Mas geralmente é o cagaço que me faz ligar denovo também. Cagaço de ficar sozinho, cagaço do cansasso, cansasso do cagaço.
E ainda que haja uma pontinha de cagaço, eu não posso esconder o estardalhasso de ouvir uma palavra tão simples, que acaba com o cagaço, manda ele bem longe, lá pro espaço, um apenas e tão longíncuo Alô. É o cagaço.

O texto no final das contas é uma merda. Por falar em cagaço.

William Biagioli, aos 20 anos.

MORTE

Olha só...aposto que quando voce leu o título estranhou, ou não gostou!
POR QUE?
Porque ainda enfretamos certos tipos de tabus, relacionados a alguns temas.
E a morte é um deles....
Mas só não entendo as razões, pois desde o dia que nascemos não temos noção se seremos ricos, pobres, gordos, magros, felizes, empregados, virgens, putas, nem nada que se possa imaginar... Só sabemos que vamos morrer.

NA verdadade resolvi escrever sobre a morte em razão dela ter chegado para algumas pessoas conhecidas.

Existem muitos tipos de mortes, e para uma delas, uma tristeza diferente.

(A tristeza, acredito eu, vem do egoísmo de nós, humanos, que querermos ter sempre a matéria, aquilo que " dá pára tocar".... mas é tristeza).

A morte morrida de uma pessoa de idade, as vezes chega até ser bonito, poético... ja viveu, ja viu, ja pasosu, e agora....descansa.
Mas o assassinato de uma pessoa jovem, que nada fez, é doido....é uma história interrompida por uma pessoa que nada sabe da sua vida...é o futuro que acaba antes mesmo de chegar.

E o suicídio??? Nossa... ainda mais quando é um filho que faz.... NENHUM pai devia ter que enterrar um filho. Nao deve exister coisa mais TRISTE do que isso.

Perder um cachorro também é triste, e ele tendo que ser sacrificado também... Não deviamos ter a opção de escolher se ele deve morrer ou não... pq se ele devesse, teria morrido sozinho.
E fica a culpa também...
enfim...

É triste como a vida pode mudar em milesimos de segundos.. em uma freada, em um tiro, em um salto, em uma injeção, em uma piscada de olhos, em um deslize no boxe, na hora de dormir...!

Mas queria que daqui pra frente as coisas fossem diferentes: que ninguem chorasse a morte, pois se morreu é porque viveu.... E já que viveu, que tenha sido da melhor forma possível, que fiqum lembranças, risadas, lições...


Proximo passo: discutir sobre drogas, sexo, politica e religiao!
Quem se habilita?
WILLIAM...APAREÇAAAAAA!!!!

por: Tassiana Ghorayeb Resende - nao mais conseguindo expor as ideias como sao pensadas!
MAldito tgi!

domingo, 11 de maio de 2008

São Paulo Zero a Zero

Uma estrela cadente. Decadente. Uma loira, um desejo. A noite escura e fria. Arnaldo Antunes, Bob Dylan. Um ônibus. Poltrona 21, lado esquerdo. E alguns quilômetros por hora. Like a Rolling Stone.
Assim parti rumo à cidade sem fim.
Mas nem tudo são flores, e há alguns buracos nessa estrada empoeirada da vida. A estrela caiu, e acertou meu corpo em cheio. O peito. Que peito? Que corpo?
Na Praça Ramos eu a vida sobre a copa das palmeiras. Um dia de céu azul . E a sensação de que há vida acima do oitavo andar de qualquer edifício, com ou sem jardim. Com ou sem curvas.
Mas antes eu vi o orgulho estampado na cara do sossego. A sombra e a cerveja gelada. Óleo diesel e macarrão. Às vezes eu me pegava pensando em parar de me apaixonar. Mas foi diante do hall de entrada da Livraria Cultura da Paulista que eu desisti da ignorância e me atirei de boca no tempo perdido. Impossível não me encantar pelos "dotes informativos' da vendedora. Tive lucros e prejuízos. Me apaixonei sem discernimento e comprei um livro “um pouco mais barato que o normal”.
Os buracos foram aumentado, e as flores não desabrocharam numa tarde de domingo. Eu que me acostumei a ficar, tive de partir. Voltei a pôr o pé na estrada, cabeça longe. Outros quilômetros por hora. E parti decepcionando todas as minhas expectativas de encontrar um novo amor. Ou um velho, reciclado. Temporário. Um que não me fizesse olhar para cima. O topo das palmeiras na Praça Ramos, a estrela cadente.

Ricardo Schneider

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Segundo

Ta, tudo bem. Sou quieto, ando esquisito, e até então não quis dizer sobre os motivos que me levaram a ficar sem minha namorada.
Se você tiver algum interesse em saber, preste atenção nos próximos minutos.

Nunca fui de muitas palavras, mas aquela mulher, realmente, mexeu comigo.
Ela não precisava tirar de mim palavras....ela conseguia o que queria por ser quem era. Sem esforço, sem pedir, sem saber.
Linda, companheira, amiga, preocupada, dedicada.

Meu deus, o que eu fui fazer?!

Moro sozinho, sempre levei minha vida do meu jeito. As vezes nem banho queria tomar, porque afinal, não valia tanto a pena assim deixar de fumar um cigarro, para tomar um banho noturno.
Por ela até isso valia a pena.

A conheci no colégio, quando ainda éramos jovens adolescentes. Nem amigos naquela época a gente era. Mas um dia, sem mais nem menos, depois de algum tempo, ela me surpreendeu fazendo comprar:

- Você não é o...?? (sorrindo)
-Sou!! (meio sem jeito)
- NOssa!!! Quanto tempo! (simpatia) Onde você está indo?
- Para casa.
- Te acompanho.

Ela foi me contando sobre sua vida inteira, sobre o que fazia, o que fez, o que pretendia fazer. Sempre sorrindo.
Eu, que já sou quieto, me encantei com aqueles olhos, com o sorriso, com o jeito como ela mexia seus lábios para falar.

Nos beijamos por volta da uma e meia da madrugada. E desde então, eramos um casal.

Por deus, ela era perfeita!
Fazia amor ora como um devassa, ora como uma princesa. Não recusava um foda sequer, não pedia, não reclamava.

Foi tudo perfeito, até eu começar a me incomodar com o fato dela ser tão perfeita assim.
Não queria que ela saisse, não queria que falasse cm ninguem, que se mexesse - achava que todos veriam nela tudo que ela era para mim.

Foda. Um cara feito eu, quando fica apaixonado, perde a linha em segundos e sem motivos.

Mesmo assim, fui um bosta. Com toda luxúria que nos rodeava, eu a traí inúmeras vezes. Por quê? Porque caras são babacas. Queremos sempre comer umas bucetas diferentes.

Certo dia ela chegou em casa - já cansada de tanto discutir a toa comigo, de tanto problema que eu arrumava para coitada.
-Oi!
Foi em direção a cozinha, começou a lavar a louça, com a maior boa vontade do mundo - já que minha casa parecia um chiqueiro.
-Acho que você devia para de fumar (disse enquanto jogava fora as milhares de bitucas que encontrou nos cinzeiros de casa)
- Não enche meu saco.
- Credo. Estúpido. Isso ai ainda vai te matar.
- Vou morrer se ficar com você isso sim.

Parecia que eu não tinha mais controle sobre mim, nem sobre as palavras. E sem motivo algum.
Os cachorros do vizinho começaram a latir...
Meu sangue subiu.
- Sua vagabunda, foda-se que o cigarro vai me matar, FODA-SE! Você é uma corna! Filha da puta!
-?????????? VOCÊ TA LOUCO?
-CORNA, eu como várias vagabundinhas que nem você, enquanto você se preocupa que o cigarro vai me matar. Sua inútil

Joguei o cinzeiro no chão.
Mandei ela sair da minha casa

Não dei chance dela falar. Xinguei. Falei que tudo que não devia falar.
Quase bati nela.
Ela só falou assim:
-Bate, mas bate com força. VAI, BATE!
Não tive coragem...
Fiz ela quase engolir um cigarro inteiro, enquanto a segurava pelo braço.
Ela saiu.

Por que fiz isso?
Acho que além de punheteiro, eu sou um boçal de primeira linha.

As vezes sinto saudade dela. Mas não me atrevo a ligar.
Tenho vergonha. Pedi desculpas dez mil vezes por motivos que eu mesmo criei, e ela aceitou todos...Mas acho que por gostar dela, prefiro que fique bem longe de mim.
Assim posso ficar tranquilo caso pegue uma doença, em alguma das minhas andanças costumeira ou morra de câncer de pulmão.
Tem gente que não merece me conhecer. Ela foi uma delas.




Por: personagem da cabeça da Tassi - esse não foi tão bom quanto o 1º. Porém o terceiro virá.

sábado, 26 de abril de 2008

Posso?

Antes do Segundo, Terceiro e quarto capítulos da história, pelo licença para atualizar o blog, com um trecho de um dos livros do Herman Hesse.
Pode????
É que conforme eu vou lendo um livro, sempre faço anotações de trechos, frases e pensamentos que me somam algo, que refletem sentimentos ou coisas que não sabemos como dizer.
Hoje me deu vontade de postar um desses trechos.
Espero que gostem.
Obrigada.


"A comunidade é uma coisa muito bela. Mas o que vemos florescer agora não é a verdadeira comunidade. Essa surgira, nova, do conhecimento mútuo dos indivíduos e transformará por algum tempo o mundo. O que hoje existe não é comunidade: é simplesmente o rebanho.
Os homens se unem porque têm medo uns dos outros e cada um se refugia entre seus iguais: rebanho de patrões, rebanho de operários, rebanho de intelectuais... E por que têm medo?
Só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo. Têm medo porque jamais se atreveram a perseguir seus próprios impulsos anteriores. Uma comunidade formada por induvíduos aterrorizados com o desconhecido que levam dentro de si. Sentem que já periclitaram todas as leis em que baseiam suas vidas, que vivem conforme mandamentos antiquados e que nem sua religião nem sua moral são aquelas que ora necessitamos."


Por Herman Hess, digitado por Tassiana

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Primeiro

Minhas noites são meio cinzas.
Ando de bar e bar, enchendo a cara, fumando meu cigarro, pensando na vida.
Perdi minha namorada, por motivos que não cabem aqui, mas que se atrelam à minha loucura interna e a minha libido.

Vai ver que é por isso que ando batendo muita punheta, ou indo atrás de quem o faça pra mim.
Mas já aprendi uma técnica infalível.

Sento-me ao balcão, desses bares escuros, estilo pub inglês, peço meu wishky com gelo, acendo meu cigarro... passo pela mesa de sinuca, e entre a fumaça que ofusca meus olhos, vou em direção a JukeBox.

É tiro e queda, quando coloco um música, sempre vem uma dessas menininhas abertas que já bebeu um pouco além da conta, dizendo:
"AAAI adoro essa música" e fica dançando olhando pra mim.

Ai não tem erro. As vezes ganho mais do que esperava. Os tempos mudaram. Coitado do meu pai e do meu avó que tinham que pegar na mão, conhecer família, casar, e ai sim ter o mínimo prazer.

Outro dia, em meio a essa minha vida de subsolo, estava eu, só (como sempre prefiro estar), sentado em mais um bar (gosto de me sentar no balcão, mas nao faço amizade com os garçons- acho que pra preservar minha solidão e deixar meus pensamentos irem mais longe).

Na mesa de trás, havia uns 5 caras. Babacas.
Falando de coisas inúteis, um se gabando mais que o outro....Acho que todos devem ter o pinto pequeno.
Em certo momento, passou uma dessas mulheres da vida, se eu não me engano passou em direção ao banheiro. Ela tinha cabelos negros cumpridos, usava saia curta, meia-calça, salto alto e batom vermelho.
Um dos caras grita: "OLHA A VAGABUNDA...Vem cá chupar meu pau, sua filha da puta"
Todos os babacas riem. A mulher ignora e passa.

Me pergunto: Por que desprezar uma pessoa assim? Por que fazer dela motivo de chacota, e humilha-la perante seus amigos?
Além do que, elas tem a profissão mais antiga do mundo, te tratam muito melhor do que, as vezes, sua mulher o tratará, não tem frescuras, devem fazer um boquete muito melhor, e vão suprir todas as suas vontades sexuais sem reclamar.
A única coisa que você terá que fazer é dar dinheiro em troca disso tudo. Se você for casado, vai ter que gastar bem mais, ouvir reclamações, e ainda vai ser difícil convencer sua mulher a fazer um ménage.

Babacas.

Quando o dia estava querendo amanhecer, resolvi que devia encerrar esse capítulo por aqui.
Voltei para casa fedendo a cigarro.
Quero dormir até a hora que a tarde cair, para assim partir para mais um capítulo de minha vida.


Por Personagem da cabeça de Tassiana Ghorayeb Resende.
É só o 1º capítulo.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Aforismos ou Desaforismos?

" Há muito tempo que eu vivi calado
Mas agora resolvi falar..."

Fazia tempo que eu não dava o ar da graça, como tem sido custumeiro, mas hoje resolvi postar.
Vim falar de um negócio que eu pessoalmente acho legal, assim como o Ferreira Gullar, que são aforismos. Aforismos são aquelas frases geniais, aquelas que você lê e pensa: " Patchã que los pariu, é duca!" E logo vira frase de msn. Então hoje resolvi entrar na onda de gozar com o pau dos outros e deixar alguns aforismos que eu achei sensacionais. Divirtam-se:

“Em nossa sociedade, os homens são paranoicamente ambiciosos, porque a ambição paranóica é admirada como uma virtude e os que alcançam sucesso são adorados como se fossem deuses.”

(Aldous Huxley)

“Em Brasília, todos são cínicos e não entendem como você não possa ser (sobre sua passagem como ministro do governo Collor).”

(J.Lutzsenberguer)

E por falar em cinismo, ai vai uma do mestre Millôr, que pessoalmente virou minha frase de msn:

"O cinismo é isso aí, bicho. Já estão tapando o sol sem a peneira"

(Millôr Fernandes)

"A mente é como um pára-quedas. Só funciona se abri-lo."

(Frank Zappa)

"Não é triste mudar de idéias, triste é não ter idéias para mudar."

(Barão de Itararé)

Enfim, existem inúmeras, incontáveis e até mesmo impublicáveis aforismos. Sábios são os que fazem, e cabe a nós lê-los e resolver se levamos adiante ou não. O jaguardiões como blog justíssimo que é, postou. Cabe a você ler. Mande suas sugestões, alguns aforismos que você conhece, ou que você goste. No mais vou deixar meu abraço e um até a próxima para vocês.

William Biagioli, 20 anos de idade.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Pequenos Delitos e Outros Acasos

E o sossego se perdeu em cacos e freada. Um acidente. Todavia, mais um. E embora o tempo esteja em grande fase. E embora a chuva ainda caia e molhe a calçada. E embora a fantasia repita a realidade. Morri mais uma vez. Sempre em vão. Nunca à toa, mas sempre por nada.
Um ferido. É isso que restou de mim. Apenas os ferimentos de mais uma morte mal morrida. Uma morte cretina, sem vista para o mar, sem rosas e sem bossa nova. Mais uma, todavia. A noite turva surpreende. Eu, com motivos, fugi. Fugi de mim. Tinha todos os motivos. E, a contragosto, lancei minha cadeira de rodas de encontro ao trem que iria me levar embora. Uma morte rápida e barulhenta. Com freada e cacos voando. Com a esperança do paraíso perdido.

- e hoje, vai fazer o que?
- não sei. O que tem pra fazer?
- nada.
- então, o que não tem pra fazer?

Um urubu lambendo os beiços. A carniça apodrecida em meio à multidão. Uma mulher linda. Outra não. Um sujeito com roupa de antigamente. Outro não. Um cigarro apagado nas nádegas da garota de programa. Outro não. Dois minutos de conversa fiada. Outros dois para lembrar o nome de uma rua. Uma mulher com corpo em forma de copo americano. Eu tinha todos os motivos para morrer. Mas, e agora?

- aqui todo mundo faz tudo e ninguém faz nada.

Tá, tá. Mas como era mesmo aquela música? Aquela que tocava todos os dias na rádio? Uma que todos cantavam? Ela ficava na cabeça, não saia. Colava. Lembra?
Eu tinha motivos. Mas não agora.

- e aí, comeu?

Uma coisa aconteceu duas vezes na minha vida. A primeira e a última. E embora a mulher com corpo de copo americano não volte, eu me lembro dela. Uma coisa que eu não conhecia era o amor. Não conheço ainda. Não o amor delas. O meu eu sei até onde é incapaz. Mas foi então que eu tive motivos. E fui embora, de encontro à morte. Sem vista para o mar, mas rápida e barulhenta. Uma cadeira de rodas abandonada no pátio. Quebrada. Como minha vida. Como minha solidão.

- mini-hang-loooooooose!!!!!

O que eu quero dizer é que não adianta. Por pior que sejamos, sempre há algo terrível para acontecer. Como quando aquela minha ‘tia-esqueleto’ resolveu ter um filho. Mais um. No auge dos seus quarenta e tantos anos. Como ela era incapaz, pegou um que tava por aí dando sopa. E depois tatuou uma maquiagem em sua cara. Na cara dela, não na da criança. Então se deu conta que ela estava muito velha pra cuidar dela, da criança. Principalmente quando começaram os cocozinhos amarelados, as paredes com pegadas e as primeiras palavras. Ou seja, ela achou que o bebe era um cãozinho abandonado que você ‘pega pra cuidar’, e se ele der muito trabalho, você dá praquele sobrinho ‘meio estranho que vive sozinho’. Daí que ela percebeu que estava velha, apesar do esqueleto maquiado, e não ia conseguir dar conta do moleque. E achou por bem ir às gôndolas do Pão de Açúcar pegar uma ‘criança um pouco mais velha’ pra dar essa conta. Outra que tava por aí dando sopa.
Acontece que é assim. Sempre tem algo pior por vir. Porque depois o esqueleto-tatuado disse que tudo isso era em nome de Deus. Legal, Deus deve estar se revirando no túmulo. É sempre assim. A morte chega para quem menos deveria. Eu tinha motivos. Mas, agora?

- ontem eu saí dirigindo sozinho pela rua e resolvi atropelar cachorros.

Acontece que eu erro, porra! Nem sempre tudo é uma maravilha. Por pior que seja. E eu acertei uma cadela por engano. Uma no cio, me parece. Ela nem reclamou muito. Não latiu alto. Não tinha motivos. Tudo sempre tem a sua primeira vez, inclusive a morte. A morte dos outros. A minha já foi. Faz tempo, inclusive.

- Manual para fazer das crianças pobres churrasco ou Modesta proposta para evitar que as crianças da Irlanda sejam um fardo para os seus pais ou para o seu país.

O que eu quero dizer é que eu não lembro direito quando foi, mas sei que uma vez eu fui uma criança. Daquelas gordinhas, que brincavam sem parar e achavam graça em poodles. E talvez eu até sinta vontade de fazer aquilo tudo outra vez, e esteja involuntariamente sendo um babaca por completo. Mas fazer o que? Leite em pó não adianta, bicho! Eu tinha motivos. Mas não queria. Não agora.

- Decadence avec elegance.

E eu lancei minha cadeirinha de rodas ao encontro daquele trem. Um beijo francês, diga-se de passagem. Mas não há paraíso, não há inferno. Só esse eterno purgatório burocrático. A morte não cala, não sossega, não nos deixa descansar. Não há paz. Nunca houve. A morte também é uma forma de colisão. E de vez em quando a gente ta guiando, de vez em quando a gente ta sendo guiado. Não importa. Não adianta se preocupar, nada vai dar certo.


Ricardo Schneider, apesar de tudo.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

FATO

....E ela andou até o ponto de ônibus.
Ficou lá 5, 6 ou 7 minutos.
Esperando....

De repente, lá do lugar mais longe onde os olhos conseguem enxergar, surge uma pessoa de sexo masculino, gritando, sujo, embriagado.

A figura se aproxima, e aos berros mostra o dedo do meio pra quem tiver na frente (não que ele estivesse vendo alguém, mas)....
As pessoas, como não era de se esperar diferente, vão se afastando, na medida em que ele vai passando pelas mesmas.

"- Mas, meu Deus, que perigo essa pessoa pode causar? Ele mal sabe quem ele é." (pensou ela)

O bêbado continuava a gritar, mas nada se entendia do que dizia. Começou a ser motivo de risadinhas.

(PAUSA)

RISADINHAS?
Pelo amor da mãe do guarda, não se faz piada com a desgraça dos outros. Que coisa FEIA.

(voltando....)


Ela, como uma pessoa que tem coração, se comove. Não ri. Não se move, não tem medo.

E ele lá, mostrando o dedo do meio para os motoristas de ônibus, agora e berrando.

"-CUZÃO, VAI TOMAR NO CÚ. VAI TUDO TOMAR NO CÚ"
E cai bem em cima dela.... que ficou parada no mesmo lugar, sem se mexer e ainda tentou ajudar o cara a se levantar.

Nesse mesmo segundo, como que num filme, um motorista mal-comido ou corno, sei la, tem o nobre trabalho de parar seu coletivo, descer e, vendo o estado da pessoa que o xingara, no chão, começou a descer um, dois, três tapas na cabeça do pobre coitado.
"- Quem é o cuzão, fala seu porra, seu merda!"

- Pára moço, pelo amor de Deus, caralho. Olha o estado do cara. Vai trabalhar!!!!!. QUE MERDAAAA

Como que num surto, são essas palavras que saem da boca dela...
Ajudou o cara a se levantar.
Ele tentou dizer alguma coisa à ela, que por 3 vezes ou mais não entendeu.
Ele seguiu seu caminho.

Bêbado, sozinho, sujo, apanhado.

E ela foi pra casa. Sozinha e triste.
Pensando no que poderia fazer.

Até agora não soube por onde começar!



Por Tassiana Resende - fatos de uma vida real e injusta

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Grandes Delitos e Outros Acasos

A felicidade na sala ao lado. Um esqueleto de bolsos vazios conta moedinhas. Flores mortas e incenso. Mais alguns quadros. Tulipas, hortênsias.
Também são flores. Nove rosas vermelhas ao léu, e o vento soprando em seus cabelos. Sol a pino e o mar.
- mar? mas aqui não tem mar!
Sempre tem. As ondas, a orla, os biquínis. Outras formas de se ver. Assim eu fui levando a vida até 1996.
Em 94 eu explodia bombas ao meu redor enquanto Baggio errava o pênalti. Dois anos depois eu já estava grande o suficiente para perder meu próprio pênalti sozinho. E continuei errando.
Corria sempre, sem parar. Corri para o esgoto e encontrei os ratos. Foram eles que me ensinaram o prazer – grande erro – de revirar lixo. Bebi muito chorume em cristais de luxo. Fiquei a um passo do mar, salmão e outras coisas cínicas – e ortodoxas – mas preferi o Leite Moça, mamado na lata.
Comecei a lamber saibro no começo do século e só parei quando não havia mais grãos. Os martelos batiam sem parar. Levei várias marteladas. Uma me atingiu as pernas, fiquei paralítico. Um efeito inevitável é o inchaço. Foi quando vieram os livros. Primeiro um, depois o outro, até ninguém saber mais o que era o que. A ficção vira realidade. A realidade vira ficção. E eu virei o quê?
- como é que se chama aquilo?
“Aquilo”. É, talvez eu tenha virado “aquilo”.
Em 89 quebrei minha primeira gaiola com a cabeça. Ano passado quebrei outra. Um inferno a olho nu. Outro candidato em potencial. Minha mente devassa meu ser. A ignorância dá tchau com ar nostálgico.
- hablas español?
Hablei. E continuei pregando faixas em muros de concreto. O mais alto que minha cadeira de rodas conseguia chegar era baixo demais. Desisti do Leite Moça e passei ao Chicabon. Me diplomei em decepcionar os outros. Caguei pra Shakespeare e Graça Aranha. Virei filósofo sem ler Nietsche.
Uma bomba relógio ou uma máquina do tempo. Tanto faz. Vai demorar pra que tudo exploda do meu jeito. Como em 94. Como quando quebrei as gaiolas na cabeça. (Ou será que elas é que me quebraram?).
Em 1987 eu me perdia de mim mesmo. Nove rosas vermelhas me (re)encontraram.

Ricardo Schneider

domingo, 30 de março de 2008

Inda que em Ariquemes

Já que o tema é futebol, gostaria de também fazer coro ao tema.


"Rolim de Moura e Ariquemes só empatam no Cassolão

Tentando se reabilitarem no campeonato rondoniense, Rolim de Moura e Ariquemes jogaram na tarde deste domingo no estádio Cassolão e ficaram no empate em 2 a 2. Aguarde mais detalhes. "

Depois do quadrangular final que deu o título do primeiro turno ao glorioso escrete do Ariquemes.


Ariquemes com incríveis 16 pontos ganhos em 6 jogos, são 5 vitórias e 1 empate.
Em seguida, na cola, vem o Rolim de Moura, de Moura, com incríveis 11 pontos.
O Moto ocupa a terceira colocação com modestos 7 pontos
E a incrível equipe do Cruzeiro, chegou a incrível marca de ZERO pontos na competição

Sendo assim, a agremiação do Ariquemes, da cidade de Ariquemes que é um município brasileiro do estado de Rondônia. Localiza-se a uma latitude 09º54'48" sul e a uma longitude 63º02'27" oeste, estando a uma altitude de 142 metros. Sua população é de 78.763 habitantes.
Possui uma área de 4.427 km². Está localizado na porção centro-norte do estado a 198 quilômetros de Porto Velho.
O nome Ariquemes é uma homenagem a tribo indígena Arikeme, habitantes originais dessa região, estes índios falavam o txapakura, dentro do grupo lingüístico tupi, a tribo foi extinta, mas gravou seu nome na história de Ariquemes. O município foi fundado em 21 de novembro de 1977.

O artilheiro da competição foi o glorioso Souza, artilheiro com 3 gols pelo time do Vilhena Esporte Clube, ou como eles carinhosamente chamam, o simpático VEC.

Pois então queria deixar bem claro esse registro que o Ariquemes vem se estruturando cada vez mais, enquanto clube de futebol, e que em um futuro bem próximo pretende mostrar ao mundo que o futebol ainda tem alma. Inda que na saudosa Porto Velho, inda que na saudosa Porto Velho.

William Biagioli
20 anos de idade
dos quais dedicou 15 minutos ao simpático povo de Ariquemes, que em festa mal deve ter imaginado que um belo dia, um ser absolutamente inofensivo produziria um texto em um blog de baixissimo impacto moral e que falaria desse grande feito para esse grande povo.

Um abrasso.
Até a Próxima
E um beijo pra quem fô de beijo, abraço pra quem fô de abrassos da bela cidade de Ariquemes
Que um dia terei o prazer de conhecer.

Apenas para mudar!

...o post antigo!
Tava ficando muito velho e muito tristinho, ne?!?!?!

Hoje, por experiência própria, gostaria de dar um pequeno aviso:

"O Ministério da Saúde adverte: FUTEBOL PODE MATAR"

É muita emoção para um coração, torcer para o TIMÃO!

ALEGREI VOCÊ?????

=)

Ótimo...!


Por Tassiana Ghorayeb Resende - Corinthiana NATA, e hoje, após uma ida ao estádio, sem voz!